A Guerra Fria tem início logo após a Segunda Guerra Mundial, pois os Estados Unidos e a União Soviética vão disputar a hegemonia política, econômica e militar no mundo.
A União Soviética possuía um sistema socialista, baseado na economia planificada, partido único (Partido Comunista), igualdade social e falta de democracia. Já os Estados unidos, a outra potência mundial, defendia a expansão do sistema capitalista, baseado na economia de mercado, sistema democrático e propriedade privada. Na segunda metade da década de 1940 até 1989, estas duas potências tentaram implantar em outros países os seus sistemas políticos e econômicos.
A definição para a expressão guerra fria é de um conflito que aconteceu apenas no campo ideológico, não ocorrendo um embate militar declarado e direto entre Estados Unidos e URSS. Até mesmo porque, estes dois países estavam armados com centenas de mísseis nucleares. Um conflito armado direto significaria o fim dos dois países e, provavelmente, da vida no planeta Terra. Porém ambos acabaram alimentando conflitos em outros países como, por exemplo, na Coréia e no Vietnã.
Paz Armada
Na verdade, uma expressão explica muito bem este período: a existência da Paz Armada. As duas potências envolveram-se numa corrida armamentista, espalhando exércitos e armamentos em seus territórios e nos países aliados. Enquanto houvesse um equilíbrio bélico entre as duas potências, a paz estaria garantida, pois haveria o medo do ataque inimigo.
Nesta época, formaram-se dois blocos militares, cujo objetivo era defender os interesses militares dos países membros. A OTAN - Organização do Tratado do Atlântico Norte (surgiu em abril de 1949) era liderada pelos Estados Unidos e tinha suas bases nos países membros, principalmente na Europa Ocidental. O Pacto de Varsóvia era comandado pela União Soviética e defendia militarmente os países socialistas.
Alguns países membros da OTAN : Estados Unidos, Canadá, Itália, Inglaterra, Alemanha Ocidental, França, Suécia, Espanha, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Áustria e Grécia.
Alguns países membros do Pacto de Varsóvia : URSS, Cuba, China, Coréia do Norte, Romênia, Alemanha Oriental, Albânia, Tchecoslováquia e Polônia.
Corrida Espacial
EUA e URSS travaram uma disputa muito grande no que se refere aos avanços espaciais. Ambos corriam para tentar atingir objetivos significativos nesta área. Isso ocorria, pois havia uma certa disputa entre as potências, com o objetivo de mostrar para o mundo qual era o sistema mais avançado. No ano de 1957, a URSS lança o foguete Sputnik com um cão dentro, o primeiro ser vivo a ir para o espaço. Doze anos depois, em 1969, o mundo todo pôde acompanhar pela televisão a chegada do homem a lua, com a missão espacial norte-americana.
Caça às Bruxas
Os EUA liderou uma forte política de combate ao comunismo em seu território e no mundo. Usando o cinema, a televisão, os jornais, as propagandas e até mesmo as histórias em quadrinhos, divulgou uma campanha valorizando o "american way of life". Vários cidadãos americanos foram presos ou marginalizados por defenderem idéias próximas ao socialismo. O Macartismo, comandado pelo senador republicano Joseph McCarthy, perseguiu muitas pessoas nos EUA. Essa ideologia também chegava aos países aliados dos EUA, como uma forma de identificar o socialismo com tudo que havia de ruim no planeta.
Na URSS não foi diferente, já que o Partido Comunista e seus integrantes perseguiam, prendiam e até matavam todos aqueles que não seguiam as regras estabelecidas pelo governo. Sair destes países, por exemplo, era praticamente impossível. Um sistema de investigação e espionagem foi muito usado de ambos os lados. Enquanto a espionagem norte-americana cabia aos integrantes da CIA, os funcionários da KGB faziam os serviços secretos soviéticos.
"Cortina de Ferro"
Após a Segunda Guerra, a Alemanha foi dividida em duas áreas de ocupação entre os países vencedores. A República Democrática da Alemanha, com capital em Berlim, ficou sendo zona de influência soviética e, portanto, socialista. A República Federal da Alemanha, com capital em Bonn (parte capitalista), ficou sob a influência dos países capitalistas. A cidade de Berlim foi dividida entre as quatro forças que venceram a guerra : URSS, EUA, França e Inglaterra. No final da década de 1940 é levantado Muro de Berlim, para dividir a cidade em duas partes : uma capitalista e outra socialista. É a vergonhosa "cortina de ferro".
Plano Marshall e COMECON
As duas potências desenvolveram planos para desenvolver economicamente os países membros. No final da década de 1940, os EUA colocaram em prática o Plano Marshall, oferecendo ajuda econômica, principalmente através de empréstimos, para reconstruir os países capitalistas afetados pela Segunda Guerra Mundial. Já o COMECON foi criado pela URSS em 1949 com o objetivo de garantir auxílio mútuo entre os países socialistas.
Envolvimentos Indiretos
Guerra da Coréia : Entre os anos de 1951 e 1953 a Coréia foi palco de um conflito armado de grandes proporções. Após a Revolução Maoista ocorrida na China, a Coréia sofre pressões para adotar o sistema socialista em todo seu território. A região sul da Coréia resiste e, com o apoio militar dos Estados Unidos, defende seus interesses. A guerra dura dois anos e termina, em 1953, com a divisão da Coréia no paralelo 38. A Coréia do Norte ficou sob influência soviética e com um sistema socialista, enquanto a Coréia do Sul manteve o sistema capitalista.
Guerra do Vietnã: Este conflito ocorreu entre 1959 e 1975 e contou com a intervenção direta dos EUA e URSS. Os soldados norte-americanos, apesar de todo aparato tecnológico, tiveram dificuldades em enfrentar os soldados vietcongues (apoiados pelos soviéticos) nas florestas tropicais do país. Milhares de pessoas, entre civis e militares morreram nos combates. Os EUA saíram derrotados e tiveram que abandonar o território vietnamita de forma vergonhosa em 1975. O Vietnã passou a ser socialista.
Fim da Guerra Fria
A falta de democracia, o atraso econômico e a crise nas repúblicas soviéticas acabaram por acelerar a crise do socialismo no final da década de 1980. Em 1989 cai o Muro de Berlim e as duas Alemanhas são reunificadas. No começo da década de 1990, o então presidente da União Soviética Gorbachev começou a acelerar o fim do socialismo naquele país e nos aliados. Com reformas econômicas, acordos com os EUA e mudanças políticas, o sistema foi se enfraquecendo. Era o fim de um período de embates políticos, ideológicos e militares. O capitalismo vitorioso, aos poucos, iria sendo implantado nos países socialistas.
Textos reflexivos, com vários motivadores sobre assuntos variados dentro de um contexto histórico.
terça-feira, 2 de agosto de 2011
RENASCIMENTO
Renascimento, Renascença ou Renascentismo são os termos usados para identificar o período da História da Europa aproximadamente entre fins do século XIII e meados do século XVII, mas os estudiosos não chegaram a um consenso sobre essa cronologia, havendo variações consideráveis nas datas conforme o autor. Seja como for, o período foi marcado por transformações em muitas áreas da vida humana, que assinalam o final da Idade Média e o início da Idade Moderna. Apesar destas transformações serem bem evidentes na cultura, sociedade, economia, política e religião, caracterizando a transição do feudalismo para o capitalismo e significando uma ruptura com as estruturas medievais, o termo é mais comumente empregado para descrever seus efeitos nas artes, na filosofia e nas ciências.
Chamou-se "Renascimento" em virtude da redescoberta e revalorização das referências culturais da antigüidade clássica, que nortearam as mudanças deste período em direção a um ideal humanista e naturalista. O termo foi registrado pela primeira vez por Giorgio Vasari já no século XVI, mas a noção de Renascimento como hoje o entendemos surgiu a partir da publicação do livro de Jacob Burckhardt A cultura do Renascimento na Itália (1867), onde ele definia o período como uma época de "descoberta do mundo e do homem".
O Renascimento cultural manifestou-se primeiro na região italiana da Toscana, tendo como principais centros as cidades de Florença e Siena, de onde se difundiu para o resto da península Itálica e depois para praticamente todos os países da Europa Ocidental, impulsionado pelo desenvolvimento da imprensa por Johannes Gutenberg. A Itália permaneceu sempre como o local onde o movimento apresentou maior expressão, porém manifestações renascentistas de grande importância também ocorreram na Inglaterra, Alemanha, Países Baixos e, menos intensamente, em Portugal e Espanha, e em suas colônias americanas. Alguns críticos, porém, consideram, por várias razões, que o termo "Renascimento" deve ficar circunscrito à cultura italiana desse período, e que a difusão européia dos ideais clássicos italianos pertence com mais propriedade à esfera do Maneirismo. Além disso, estudos realizados nas últimas décadas têm revisado uma quantidade de opiniões historicamente consagradas a respeito deste período, considerando-as insubstanciais ou estereotipadas, e vendo o Renascimento como uma fase muito mais complexa, contraditória e imprevisível do que se supôs ao longo de gerações.
Ideias principais:
O Humanismo pode ser apontado como o principal valor cultivado no Renascimento. Baseia-se em diversos conceitos associados: Neoplatonismo, Antropocentrismo, Hedonismo, Racionalismo, Otimismo e Individualismo. O Humanismo, antes que um corpo filosófico, é um método de aprendizado que faz uso da razão individual e da evidência empírica para chegar às suas conclusões, paralelamente à consulta aos textos originais, ao contrário da escolástica medieval, que se limitava ao debate das diferenças entre os autores e comentaristas. O Humanismo afirma a dignidade do homem e o torna o investigador por excelência da natureza. Na perspectiva do Renascimento, isso envolveu a revalorização da cultura clássica antiga e sua filosofia, com uma compreensão fortemente antropocentrista e racionalista do mundo, tendo o homem e seu raciocínio lógico e sua ciência como árbitros da vida manifesta.Seu precursor foi Petrarca, e o conceito se consolidou no século XV principalmente através dos escritos de Marsilio Ficino, Erasmo de Roterdão, Pico della Mirandola e Thomas More.
Chamou-se "Renascimento" em virtude da redescoberta e revalorização das referências culturais da antigüidade clássica, que nortearam as mudanças deste período em direção a um ideal humanista e naturalista. O termo foi registrado pela primeira vez por Giorgio Vasari já no século XVI, mas a noção de Renascimento como hoje o entendemos surgiu a partir da publicação do livro de Jacob Burckhardt A cultura do Renascimento na Itália (1867), onde ele definia o período como uma época de "descoberta do mundo e do homem".
O Renascimento cultural manifestou-se primeiro na região italiana da Toscana, tendo como principais centros as cidades de Florença e Siena, de onde se difundiu para o resto da península Itálica e depois para praticamente todos os países da Europa Ocidental, impulsionado pelo desenvolvimento da imprensa por Johannes Gutenberg. A Itália permaneceu sempre como o local onde o movimento apresentou maior expressão, porém manifestações renascentistas de grande importância também ocorreram na Inglaterra, Alemanha, Países Baixos e, menos intensamente, em Portugal e Espanha, e em suas colônias americanas. Alguns críticos, porém, consideram, por várias razões, que o termo "Renascimento" deve ficar circunscrito à cultura italiana desse período, e que a difusão européia dos ideais clássicos italianos pertence com mais propriedade à esfera do Maneirismo. Além disso, estudos realizados nas últimas décadas têm revisado uma quantidade de opiniões historicamente consagradas a respeito deste período, considerando-as insubstanciais ou estereotipadas, e vendo o Renascimento como uma fase muito mais complexa, contraditória e imprevisível do que se supôs ao longo de gerações.
Ideias principais:
O Humanismo pode ser apontado como o principal valor cultivado no Renascimento. Baseia-se em diversos conceitos associados: Neoplatonismo, Antropocentrismo, Hedonismo, Racionalismo, Otimismo e Individualismo. O Humanismo, antes que um corpo filosófico, é um método de aprendizado que faz uso da razão individual e da evidência empírica para chegar às suas conclusões, paralelamente à consulta aos textos originais, ao contrário da escolástica medieval, que se limitava ao debate das diferenças entre os autores e comentaristas. O Humanismo afirma a dignidade do homem e o torna o investigador por excelência da natureza. Na perspectiva do Renascimento, isso envolveu a revalorização da cultura clássica antiga e sua filosofia, com uma compreensão fortemente antropocentrista e racionalista do mundo, tendo o homem e seu raciocínio lógico e sua ciência como árbitros da vida manifesta.Seu precursor foi Petrarca, e o conceito se consolidou no século XV principalmente através dos escritos de Marsilio Ficino, Erasmo de Roterdão, Pico della Mirandola e Thomas More.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
FIM DOS IMPÉRIOS COLONIAIS
Fim dos Impérios Coloniais
Na primeira metade do século XX, quase todos os habitantes da África E Ásia viviam sob o domínio econômico- cultural europeu.O processo de independência desses países é chamado: DESCOLONIZAÇÃO.
ANTICOLONIALISMO
Política adotada pelas potências após a Segunda Guerra Mundial , em 1945, porque era inadmissível que países como França e Inglaterra, oprimissem colônias africanas e asiáticas, quando juntas lutaram contra o nazifascismo.Essa prática foi amplamente apoiada pelos EUA E PELA URSS( interessados em áreas de influência), movidos pela guerra fria.
RAZÕES DA INDEPENDÊNCIA
• A LUTA DOS NATIVOS DA África e da Ásia contra os europeus;
• O ENFRAQUECIMENTO das potências européias devido As perdas da SEGUNDA guerra Mundial;
• A solidariedade dos países recém libertos. Conferência de Bandung ( realizada na cidade de BANDUNG, NA INDONÉSIA, ONDE 29 PAÍSES RECEM INDEPENDENTES SE DECLARARAM TERCEIRO MUNDO, OU SEJA, NÃO ALINHADOS A EUA NEM URSS).
ÁSIA
Vamos acompanhar a luta pela libertação da ÍNDIA .( HABITADA POR HINDÚS E MUÇULMANOS).
Principal líder : MAHATMA GANDHI(1869-1948).
Liderou e incentivou a resistência pacífica: tática de luta baseada na desobediência civil.Por meio dessa tática os indianos eram incentivados anão usar nem comprar produtos ingleses,não pagar impostos, assim como não obedecer as leis que os discriminassem dentro da própria ÍNDIA.
Pressionado pela resistência indiana e abalado pelas perdas decorrentes da 2° Guerra, o governo inglês se viu obrigado a negociar com os indianos, assim em 1947, surgiram dois países independentes: ÍNDIA ( DE MAIORIA HINDU), e o PAQUISTÃO (DE MAIORIA MUÇULMANA).
VIETNÃ
a Indochina foi dominada por franceses desde 1860, ocupada por forças japonesas durante a Segunda Guerra Mundial.Com A DERROTA DO Japão o governo francês decidiu recuperá-la, enfrentando movimentos nacionalistas que lutavam por independência, os franceses foram derrotados na BATALHA DE DIEN BIEN PHU(1954).Logo após houve a assinatura do ACORDO DE GENEBRA( dividiu o território de Indochina em 3 países independentes: Laos, Camboja, Vietnã.
O Vietnã por sua vez ficou dividido em duas partes:
• REPÚBLICA DEMOCRÁTIA DO VIETNÃ.
LOCALIZADA AO NORTE
CAPITAL: HANÓI
LIDERADOS POR: Ho Chi Mi, APOIADA PELOS SOVIÉTICOS.
• REPÚBLICA DO VIETNÃ
LOCALIZADA AO SUL
CAPITAL : SAIGON
LIDERADA POR:Ngô Dinh Diem, APOIADA PELOS NORTE AMERICANOS
ÁFRICA
No caso da África, as lutas para a independência foram influenciadas também por movimentos como:
• O Pan Africanismo: idealizado Por negros norte - americanos e antilhanos, que defendiam a unidade da África, a solidariedade e a independência dos povos africanos.
• A Negritude: movimento africano, idealizado pelo senegalês Leopold Senghor, propunha a valorização das culturas africanas.
As independências africanas podem ser agrupadas em dois blocos:
1° bloco: 1945-1962 = AS colônias que conseguiram sua independência por meio da negociação com suas ex-metrópoles.
2° bloco: 1962-1975 = Os países que conseguiram sua independência por meio da guerra de libertação.
Antes de 1945, apenas ETIÓPIA, EGITO E LIBÉRIA eram livres na África.
Ex- colônias Inglesas
.Quênia : localizada na ÁFRICA ORIENTAL, nessa área os africanos viviam em situação de extrema pobreza, no interior as melhores terras pertenciam aos kikuyus( mais numerosa e combativa etnia africana). Destaque para Jomo Kenyatta, que fundou o UNIÃO AFRICANA DO QUENIA (KANU), PARTIDO QUE PROPUNHA LUTAR POR TERRAS E AUTONOMIA PARA OS AFRICANOS.
Costa do Ouro (GANA) : rica em ouro, diamante, bauxita e cacau.Viviam nessa área diversas etnias como: os FANTI, os AXANTI, os EWE, cada uma com sua cultura e língua local.Destaque para Kwame Nkrumah , que FUNDOU O Partido da Convenção do Povo(CPP).Esse partido era inspirado nas tática de resistência pacífica.Seu lema era : autonomia já.
Kwame Nkrumah
Ex- colônia francesa
• Guiné : liderados por Sékou Touré, e o PARTIDO Democrático da Guiné lutaram pela independência desse país mas, o presidente francês Charles de Gaulle, propôs a população o REFERENDO(Estratégia para manter co controle na colônia).para saber se queriam fazer parte da comunidade francesa.
Ex- colônia portuguesa
• ÁFRICA DO SUL : RICA EM RECURSOS MINERAIS, em 1948, FOI PALCO DO APARTHEID(regime de segregação racial, que obrigava os negros a estudarem em escoas para negros frequentarem cinemas para negros, e andarem com passes para a polícia poder controlar seu deslocamento. Esse regime foi oficializado pela minoria branca descente de ingleses e franceses.Esse regime chegou ao fim em 1990, quando Nélson Mandela foi eleito presidente da África do Sul.
Nelson Rolihlahla Mandela (Mvezo, 18 de julho de 1918) é um advogado, ex-líder rebelde e ex-presidente da África do Sul de 1994 a 1999. Principal representante do movimento antiapartheid, como ativista e transformador da história africana. Considerado pela maioria das pessoas um guerreiro em luta pela liberdade, era considerado pelo governo sul-africano um terrorista. Sua vida foi brilhantemente retratada nos filmes “Invictus” (2009) e "Goodbye Bafana" (2007), mostrando sua conversão em ativista com métodos pacíficos, vindo a receber o Prêmio Nobel da Paz em 1993. Passou a infância na região de Thembu, antes de seguir carreira em Direito. Em 1990 foi-lhe atribuído o Prêmio Lênin da Paz, que foi recebido em 2002. Na África do Sul também é conhecido como 'Madiba', um título honorário adotado por membros do clã de Mandela.
Na primeira metade do século XX, quase todos os habitantes da África E Ásia viviam sob o domínio econômico- cultural europeu.O processo de independência desses países é chamado: DESCOLONIZAÇÃO.
ANTICOLONIALISMO
Política adotada pelas potências após a Segunda Guerra Mundial , em 1945, porque era inadmissível que países como França e Inglaterra, oprimissem colônias africanas e asiáticas, quando juntas lutaram contra o nazifascismo.Essa prática foi amplamente apoiada pelos EUA E PELA URSS( interessados em áreas de influência), movidos pela guerra fria.
RAZÕES DA INDEPENDÊNCIA
• A LUTA DOS NATIVOS DA África e da Ásia contra os europeus;
• O ENFRAQUECIMENTO das potências européias devido As perdas da SEGUNDA guerra Mundial;
• A solidariedade dos países recém libertos. Conferência de Bandung ( realizada na cidade de BANDUNG, NA INDONÉSIA, ONDE 29 PAÍSES RECEM INDEPENDENTES SE DECLARARAM TERCEIRO MUNDO, OU SEJA, NÃO ALINHADOS A EUA NEM URSS).
ÁSIA
Vamos acompanhar a luta pela libertação da ÍNDIA .( HABITADA POR HINDÚS E MUÇULMANOS).
Principal líder : MAHATMA GANDHI(1869-1948).
Liderou e incentivou a resistência pacífica: tática de luta baseada na desobediência civil.Por meio dessa tática os indianos eram incentivados anão usar nem comprar produtos ingleses,não pagar impostos, assim como não obedecer as leis que os discriminassem dentro da própria ÍNDIA.
Pressionado pela resistência indiana e abalado pelas perdas decorrentes da 2° Guerra, o governo inglês se viu obrigado a negociar com os indianos, assim em 1947, surgiram dois países independentes: ÍNDIA ( DE MAIORIA HINDU), e o PAQUISTÃO (DE MAIORIA MUÇULMANA).
VIETNÃ
a Indochina foi dominada por franceses desde 1860, ocupada por forças japonesas durante a Segunda Guerra Mundial.Com A DERROTA DO Japão o governo francês decidiu recuperá-la, enfrentando movimentos nacionalistas que lutavam por independência, os franceses foram derrotados na BATALHA DE DIEN BIEN PHU(1954).Logo após houve a assinatura do ACORDO DE GENEBRA( dividiu o território de Indochina em 3 países independentes: Laos, Camboja, Vietnã.
O Vietnã por sua vez ficou dividido em duas partes:
• REPÚBLICA DEMOCRÁTIA DO VIETNÃ.
LOCALIZADA AO NORTE
CAPITAL: HANÓI
LIDERADOS POR: Ho Chi Mi, APOIADA PELOS SOVIÉTICOS.
• REPÚBLICA DO VIETNÃ
LOCALIZADA AO SUL
CAPITAL : SAIGON
LIDERADA POR:Ngô Dinh Diem, APOIADA PELOS NORTE AMERICANOS
ÁFRICA
No caso da África, as lutas para a independência foram influenciadas também por movimentos como:
• O Pan Africanismo: idealizado Por negros norte - americanos e antilhanos, que defendiam a unidade da África, a solidariedade e a independência dos povos africanos.
• A Negritude: movimento africano, idealizado pelo senegalês Leopold Senghor, propunha a valorização das culturas africanas.
As independências africanas podem ser agrupadas em dois blocos:
1° bloco: 1945-1962 = AS colônias que conseguiram sua independência por meio da negociação com suas ex-metrópoles.
2° bloco: 1962-1975 = Os países que conseguiram sua independência por meio da guerra de libertação.
Antes de 1945, apenas ETIÓPIA, EGITO E LIBÉRIA eram livres na África.
Ex- colônias Inglesas
.Quênia : localizada na ÁFRICA ORIENTAL, nessa área os africanos viviam em situação de extrema pobreza, no interior as melhores terras pertenciam aos kikuyus( mais numerosa e combativa etnia africana). Destaque para Jomo Kenyatta, que fundou o UNIÃO AFRICANA DO QUENIA (KANU), PARTIDO QUE PROPUNHA LUTAR POR TERRAS E AUTONOMIA PARA OS AFRICANOS.
Costa do Ouro (GANA) : rica em ouro, diamante, bauxita e cacau.Viviam nessa área diversas etnias como: os FANTI, os AXANTI, os EWE, cada uma com sua cultura e língua local.Destaque para Kwame Nkrumah , que FUNDOU O Partido da Convenção do Povo(CPP).Esse partido era inspirado nas tática de resistência pacífica.Seu lema era : autonomia já.
Kwame Nkrumah
Ex- colônia francesa
• Guiné : liderados por Sékou Touré, e o PARTIDO Democrático da Guiné lutaram pela independência desse país mas, o presidente francês Charles de Gaulle, propôs a população o REFERENDO(Estratégia para manter co controle na colônia).para saber se queriam fazer parte da comunidade francesa.
Ex- colônia portuguesa
• ÁFRICA DO SUL : RICA EM RECURSOS MINERAIS, em 1948, FOI PALCO DO APARTHEID(regime de segregação racial, que obrigava os negros a estudarem em escoas para negros frequentarem cinemas para negros, e andarem com passes para a polícia poder controlar seu deslocamento. Esse regime foi oficializado pela minoria branca descente de ingleses e franceses.Esse regime chegou ao fim em 1990, quando Nélson Mandela foi eleito presidente da África do Sul.
Nelson Rolihlahla Mandela (Mvezo, 18 de julho de 1918) é um advogado, ex-líder rebelde e ex-presidente da África do Sul de 1994 a 1999. Principal representante do movimento antiapartheid, como ativista e transformador da história africana. Considerado pela maioria das pessoas um guerreiro em luta pela liberdade, era considerado pelo governo sul-africano um terrorista. Sua vida foi brilhantemente retratada nos filmes “Invictus” (2009) e "Goodbye Bafana" (2007), mostrando sua conversão em ativista com métodos pacíficos, vindo a receber o Prêmio Nobel da Paz em 1993. Passou a infância na região de Thembu, antes de seguir carreira em Direito. Em 1990 foi-lhe atribuído o Prêmio Lênin da Paz, que foi recebido em 2002. Na África do Sul também é conhecido como 'Madiba', um título honorário adotado por membros do clã de Mandela.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
NAZISMO
O nazismo, conhecido oficialmente na Alemanha como nacional-socialismo (em alemão: Nationalsozialismus), é a ideologia praticada pelo Partido Nazista da Alemanha, formulada por Adolf Hitler, e adotada pelo governo da Alemanha de 1933 a 1945, e esse período ficou conhecido como Alemanha Nazista ou Terceiro Reich.
No Brasil, como em vários outros países, a apologia ao nazismo é capitulada em lei como crime inafiançável.
O nazismo é frequentemente considerado por estudiosos como uma derivação do Fascismo. Mesmo incorporando elementos tanto da direita política quanto da esquerda política, o nazismo é considerado de extrema direita.[9] Os nazistas foram um dos vários grupos históricos que utilizaram o termo nacional-socialismo para descrever a si mesmos, e na década de 1920, tornaram-se o maior grupo da Alemanha. O Partido Nazista apresentou seus ideais no programa de 25 pontos do Nacional Socialista em 1920. Entre os elementos-chave do nazismo, há o anti-parlamentarismo, o pangermanismo, o racismo, o coletivismo, a eugenia, o antissemitismo, o anticomunismo, o totalitarismo e a oposição ao liberalismo econômico e político.
Na década de 1930, o nazismo não era um movimento monolítico, mas sim uma combinação de várias ideologias e filosofias centradas principalmente no nacionalismo, no anticomunismo e no tradicionalismo. Alguns grupos, como strasserismo, faziam inicialmente parte do movimento nazista. Uma de suas motivações foi a insatisfação com o Tratado de Versalhes, que era entendido como uma conspiração judaica-comunista para humilhar a Alemanha no final da Primeira Guerra Mundial. Os males da Alemanha pós-guerra foram críticos para a formação da ideologia e suas críticas à República de Weimar pós-guerra. O Partido Nazista chegou ao poder na Alemanha em 1933.
Em resposta à instabilidade criada pela Grande Depressão, os nazistas procuraram um terceiro jeito de gerenciar a economia do seu país, sem que tenha ideais comunistas ou capitalistas. O governo nazista efetivamente acabou em 7 de maio de 1945, no Dia V-E, quando os nazistas incondicionalmente renderam-se às potências Aliadas, que tomaram a administração da Alemanha até que o país formasse o seu próprio governo democrático.
A essência do Nazismo: totalitarismo e racismoA essência do fascismo e do nazismo está no totalitarismo,[17] especificamente na noção de controle totalitário, ou seja, na ideia de que o Estado, e em última instância o chefe-de-Estado (no caso da Alemanha o Führer), deveria controlar tudo e todos. Para isso a homogeneização da sociedade é fundamental. As formas de controle social em regimes totalitários geralmente envolvem o uso e exacerbação do medo a um grau extremo. Todos passam a vigiar a todos e todos se sentem vigiados e intimidados. Cada indivíduo passa a ser "os olhos e ouvidos" do Führer no processo de construção de uma sociedade totalitária. Neste processo de homogeneização totalitária, os inúmeros festivais, atividades cívicas, com mobilização das massas nas ruas foram determinantes .
Para controlar tudo e todos, o nazismo instigava e exacerbava ao extremo o nacionalista, geralmente associado às rivalidades com outros países suposta ou realmente ameaçadores. A ideia de um inimigo externo extremamente poderoso é funcional unir a sociedade contra o "inimigo comum". O medo de um inimigo externo é funcional para aglutinar socialmente povos que até pouco tempo não se identificavam enquanto uma só nação, como foram os casos de países unificados apenas no século XIX (Alemanha e Itália). Como Freud havia demonstrado, a necessidade da criação artificial da identidade em grupos sociais pode levar à homogeneização forçada destes, e a existência de membros diferentes no grupo é desestabilizadora, o que leva o grupo a tentar eliminá-lo. Tão relevante é esta explicação para entender o fenômeno do fascismo e do nazismo, que as obras de Freud estiveram entre as primeiras a serem queimadas nas famosas queimas de livros organizadas pelo Partido Nazista em 1933 e 1934.
Entretanto, era necessário mais do que apenas o medo de um inimigo externo para conseguir atingir o ultra-nacionalismo e o totalitarismo. Para isso era funcional criar "inimigos" internos, sorrateiros, subterrâneos, conspiratórios. Este papel de inimigo sorrateiro é destinado ao comunismo e aos comunistas como um todo na ideologia fascismo. O Nazismo acrescenta ao rol de "inimigos", em que já estava o comunismo, minorias étnico-religiosas como "inimigas": os judeus em um primeiro momento, depois ciganos e povos eslavos (já durante a II Guerra Mundial). A partir disto é que se torna central o segundo pilar do nazismo, a ideologia da superioridade racial ariana.
No Brasil, como em vários outros países, a apologia ao nazismo é capitulada em lei como crime inafiançável.
O nazismo é frequentemente considerado por estudiosos como uma derivação do Fascismo. Mesmo incorporando elementos tanto da direita política quanto da esquerda política, o nazismo é considerado de extrema direita.[9] Os nazistas foram um dos vários grupos históricos que utilizaram o termo nacional-socialismo para descrever a si mesmos, e na década de 1920, tornaram-se o maior grupo da Alemanha. O Partido Nazista apresentou seus ideais no programa de 25 pontos do Nacional Socialista em 1920. Entre os elementos-chave do nazismo, há o anti-parlamentarismo, o pangermanismo, o racismo, o coletivismo, a eugenia, o antissemitismo, o anticomunismo, o totalitarismo e a oposição ao liberalismo econômico e político.
Na década de 1930, o nazismo não era um movimento monolítico, mas sim uma combinação de várias ideologias e filosofias centradas principalmente no nacionalismo, no anticomunismo e no tradicionalismo. Alguns grupos, como strasserismo, faziam inicialmente parte do movimento nazista. Uma de suas motivações foi a insatisfação com o Tratado de Versalhes, que era entendido como uma conspiração judaica-comunista para humilhar a Alemanha no final da Primeira Guerra Mundial. Os males da Alemanha pós-guerra foram críticos para a formação da ideologia e suas críticas à República de Weimar pós-guerra. O Partido Nazista chegou ao poder na Alemanha em 1933.
Em resposta à instabilidade criada pela Grande Depressão, os nazistas procuraram um terceiro jeito de gerenciar a economia do seu país, sem que tenha ideais comunistas ou capitalistas. O governo nazista efetivamente acabou em 7 de maio de 1945, no Dia V-E, quando os nazistas incondicionalmente renderam-se às potências Aliadas, que tomaram a administração da Alemanha até que o país formasse o seu próprio governo democrático.
A essência do Nazismo: totalitarismo e racismoA essência do fascismo e do nazismo está no totalitarismo,[17] especificamente na noção de controle totalitário, ou seja, na ideia de que o Estado, e em última instância o chefe-de-Estado (no caso da Alemanha o Führer), deveria controlar tudo e todos. Para isso a homogeneização da sociedade é fundamental. As formas de controle social em regimes totalitários geralmente envolvem o uso e exacerbação do medo a um grau extremo. Todos passam a vigiar a todos e todos se sentem vigiados e intimidados. Cada indivíduo passa a ser "os olhos e ouvidos" do Führer no processo de construção de uma sociedade totalitária. Neste processo de homogeneização totalitária, os inúmeros festivais, atividades cívicas, com mobilização das massas nas ruas foram determinantes .
Para controlar tudo e todos, o nazismo instigava e exacerbava ao extremo o nacionalista, geralmente associado às rivalidades com outros países suposta ou realmente ameaçadores. A ideia de um inimigo externo extremamente poderoso é funcional unir a sociedade contra o "inimigo comum". O medo de um inimigo externo é funcional para aglutinar socialmente povos que até pouco tempo não se identificavam enquanto uma só nação, como foram os casos de países unificados apenas no século XIX (Alemanha e Itália). Como Freud havia demonstrado, a necessidade da criação artificial da identidade em grupos sociais pode levar à homogeneização forçada destes, e a existência de membros diferentes no grupo é desestabilizadora, o que leva o grupo a tentar eliminá-lo. Tão relevante é esta explicação para entender o fenômeno do fascismo e do nazismo, que as obras de Freud estiveram entre as primeiras a serem queimadas nas famosas queimas de livros organizadas pelo Partido Nazista em 1933 e 1934.
Entretanto, era necessário mais do que apenas o medo de um inimigo externo para conseguir atingir o ultra-nacionalismo e o totalitarismo. Para isso era funcional criar "inimigos" internos, sorrateiros, subterrâneos, conspiratórios. Este papel de inimigo sorrateiro é destinado ao comunismo e aos comunistas como um todo na ideologia fascismo. O Nazismo acrescenta ao rol de "inimigos", em que já estava o comunismo, minorias étnico-religiosas como "inimigas": os judeus em um primeiro momento, depois ciganos e povos eslavos (já durante a II Guerra Mundial). A partir disto é que se torna central o segundo pilar do nazismo, a ideologia da superioridade racial ariana.
Economia Colonial
BRASIL: ECONOMIA COLONIAL
• A Caesalphina Echinata
Após a chegada dos primeiros portugueses ao Brasil, os portugueses logo perceberam que não teriam um lucro imediato como os espanhóis nas suas colônias americanas. O único produto que poderia ser explorado seria o pau-brasil, que passou a ser explorado por particulares como o Fernando de Noronha.
Este privilégio dado pela coroa portuguesa para Noronha estava simplesmente vinculado a questão portuguesa de não gastar com as colônias americanas manter o foco da exploração nas especiarias da Índia e da China, que no momento dava maiores lucros ao Estado português.
A partir do momento em que as especiarias não vão mais dar o lucro esperado a Coroa Portuguesa, a mesma resolve voltar-se para a exploração de sua colônia na América e com isso também se dá o período de colonização das terras brasileiras pelo reino português.
• O Cultivo da cana-de-açúcar
A plantação da cana-de-açúcar no Brasil só deslanchou a partir da chegada de Martim Afonso de Sousa, que trouxe peritos e mudas de da planta para produção brasileira. Como o produto era muito cobiçado pelos europeus, ele vêm a se tornar o principal produto de vinculação econômica da colônia gerando lucros para a Metrópole.
A plantação e extração de cana-de-açúcar já tinha sido iniciada nas ilhas do açores e de Cabo Verde pelos portugueses. A utilização de latifúndios foi desenvolvida em larga escala com a utilização da mão-de-obra escrava. A plantação era voltada para monocultura de exportação, ou seja, a produção de um único gênero voltado para o mercado externo. Isso se chama plantation. Além das mudas de açúcar, os portugueses trouxeram também os equipamentos necessários para produção de açucar, além de toda mão-de-obra a ser empregada e as técnicas de fabricação.
• Os engenhos de açúcar
A partir de 1530 a produção de açúcar espalhou-se por todo o litoral da América portuguesa, principalmente na Bahia e em Pernambuco. Em 1570 a industria açucareira estava totalmente instalada nas capitanias do Nordeste.
Como os portugueses não se propunham a participar da atividade açucareira, os que vinham para cá viver da produção do açúcar exigiam terras e muitos trabalhadores para uma exploração quase que ilimitada. Mas para os trabalhos mais apurados eram utilizados trabalhadores livres.
Até o final do século XVI, o índio foi utilizado amplamente nos engenhos de açúcar. Aos poucos, a mão-de-obra foi mudando para o negros africanos mais por resistência dos índios do que por outro motivo. Quando os portugueses passam a perceber o lucro que eles obtinham com o tráfico de escravos negros, passam a só autorizar a utilização de mão-de-obra dos africanos.
O trabalho nos engenhos colocava lado a lado os escravos negros, indígenas e trabalhadores livres. Com o passar do tempo, alguns escravos passaram a também fazer funções de homens livres.
• A Estrutura dos engenhos
O engenho constituía na unidade econômica básica da colônia portuguesa nos séculos XVI e XVII. O engenho era formado pela casa-grande, a capela e a senzala. O engenho era símbolo de poder por parte do senhor de engenho e erguia-se como modelo de organização da colônia.
Pequenos lavradores cultivavam nas suas pequenas possessões produtos para sua subsistência. Isso era chamada de fazendas obrigatórias. Os trabalhadores livres ganhavam também terras em troca de prestação de favores ao senhor de engenho.
• Outras atividades econômicas
Apesar da tendência à monocultura de exportação, outras atividades agrícolas também foram desenvolvidas na colônia como a pecuária, o fumo e o algodão. A pecuária era necessária para o transporte de carga. O algodão era produzido por pequenos arrendatários e tinha um pequeno volume de exportação para a Metrópole, o grosso da produção era voltada para vestir os escravos. O fumo tornou-se um dos principais produtos da economia colonial, era consumido pelas camadas mais pobres e servia de mercadoria para troca de escravos na África. Sua produção concentrou-se na Bahia e Pernambuco.
• A Caesalphina Echinata
Após a chegada dos primeiros portugueses ao Brasil, os portugueses logo perceberam que não teriam um lucro imediato como os espanhóis nas suas colônias americanas. O único produto que poderia ser explorado seria o pau-brasil, que passou a ser explorado por particulares como o Fernando de Noronha.
Este privilégio dado pela coroa portuguesa para Noronha estava simplesmente vinculado a questão portuguesa de não gastar com as colônias americanas manter o foco da exploração nas especiarias da Índia e da China, que no momento dava maiores lucros ao Estado português.
A partir do momento em que as especiarias não vão mais dar o lucro esperado a Coroa Portuguesa, a mesma resolve voltar-se para a exploração de sua colônia na América e com isso também se dá o período de colonização das terras brasileiras pelo reino português.
• O Cultivo da cana-de-açúcar
A plantação da cana-de-açúcar no Brasil só deslanchou a partir da chegada de Martim Afonso de Sousa, que trouxe peritos e mudas de da planta para produção brasileira. Como o produto era muito cobiçado pelos europeus, ele vêm a se tornar o principal produto de vinculação econômica da colônia gerando lucros para a Metrópole.
A plantação e extração de cana-de-açúcar já tinha sido iniciada nas ilhas do açores e de Cabo Verde pelos portugueses. A utilização de latifúndios foi desenvolvida em larga escala com a utilização da mão-de-obra escrava. A plantação era voltada para monocultura de exportação, ou seja, a produção de um único gênero voltado para o mercado externo. Isso se chama plantation. Além das mudas de açúcar, os portugueses trouxeram também os equipamentos necessários para produção de açucar, além de toda mão-de-obra a ser empregada e as técnicas de fabricação.
• Os engenhos de açúcar
A partir de 1530 a produção de açúcar espalhou-se por todo o litoral da América portuguesa, principalmente na Bahia e em Pernambuco. Em 1570 a industria açucareira estava totalmente instalada nas capitanias do Nordeste.
Como os portugueses não se propunham a participar da atividade açucareira, os que vinham para cá viver da produção do açúcar exigiam terras e muitos trabalhadores para uma exploração quase que ilimitada. Mas para os trabalhos mais apurados eram utilizados trabalhadores livres.
Até o final do século XVI, o índio foi utilizado amplamente nos engenhos de açúcar. Aos poucos, a mão-de-obra foi mudando para o negros africanos mais por resistência dos índios do que por outro motivo. Quando os portugueses passam a perceber o lucro que eles obtinham com o tráfico de escravos negros, passam a só autorizar a utilização de mão-de-obra dos africanos.
O trabalho nos engenhos colocava lado a lado os escravos negros, indígenas e trabalhadores livres. Com o passar do tempo, alguns escravos passaram a também fazer funções de homens livres.
• A Estrutura dos engenhos
O engenho constituía na unidade econômica básica da colônia portuguesa nos séculos XVI e XVII. O engenho era formado pela casa-grande, a capela e a senzala. O engenho era símbolo de poder por parte do senhor de engenho e erguia-se como modelo de organização da colônia.
Pequenos lavradores cultivavam nas suas pequenas possessões produtos para sua subsistência. Isso era chamada de fazendas obrigatórias. Os trabalhadores livres ganhavam também terras em troca de prestação de favores ao senhor de engenho.
• Outras atividades econômicas
Apesar da tendência à monocultura de exportação, outras atividades agrícolas também foram desenvolvidas na colônia como a pecuária, o fumo e o algodão. A pecuária era necessária para o transporte de carga. O algodão era produzido por pequenos arrendatários e tinha um pequeno volume de exportação para a Metrópole, o grosso da produção era voltada para vestir os escravos. O fumo tornou-se um dos principais produtos da economia colonial, era consumido pelas camadas mais pobres e servia de mercadoria para troca de escravos na África. Sua produção concentrou-se na Bahia e Pernambuco.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA
DATA MAGNA
Revolução Pernambucana
A chamada Revolução Pernambucana, também conhecida como Revolução dos Padres, eclodiu em 6 de março de 1817 na então Província de Pernambuco, no Brasil.
Dentre as suas causas destacam-se a crise econômica regional, o absolutismo monárquico português e a influência das idéias Iluministas, propagadas pelas sociedades maçônicas.
Antecedentes
No começo do século XIX, Olinda e Recife, as duas maiores cidades pernambucanas, tinham juntas cerca de 40 000 habitantes (comparados com 60 000 habitantes do Rio de Janeiro, capital da colônia). O porto do Recife escoava a produção de açúcar, das centenas de engenhos da Zona da Mata, e de algodão. Além de sua importância econômica e política, os pernambucanos tinham participado de diversas lutas libertárias. A primeira e mais importante tinha sido a Insurreição Pernambucana, em 1645. Depois, na Guerra dos Mascates, foi aventada a possibilidade de proclamar a independência de Olinda[1].
As idéias liberais que entravam no Brasil junto com os viajantes estrangeiros e por meio de livros e de outras publicações, incentivavam o sentimento de revolta entre a elite pernambucana, que participava ativamente, desde o fim do século XVIII, de sociedades secretas, como as lojas maçônicas. Em Pernambuco as principais foram a Areópago de Itambé, a Patriotismo, a Restauração, a Pernambuco do Oriente e a Pernambuco do Ocidente, que serviam como locais de discussão e difusão das "infames idéias francesas". Nas sociedades secretas, reuniam-se intelectuais religiosos e militares, para elaborar planos para a revolução.
Causas imediatas
• Situação da região: presença maciça de portugueses na liderança do governo e na administração pública. Criação de novos impostos por Dom João provocando a insatisfação da população pernambucana.Para se ter uma idéia , segundo escritor inglês então residente no Recife, era grande a insatisfação local ante a obrigatoriedade de se pagar impostos para a manutenção da iluminação pública do Rio de Janeiro , enquanto no Recife era praticamente inexistente a dita iluminação .
• Nordeste: grande seca que havia atingido a região em 1816 acentuando a fome e a miséria; além disso, houve queda na produção do açúcar e do algodão, que sustentavam a economia pernambucana (esses produtos começaram a sofrer concorrência do algodão nos EUA e do açúcar na Jamaica).
• Influências externas: divulgação das ideias liberais e de independência (ideais iluministas), estimulando as camadas populares de Pernambuco na organização do movimento de 1817.
• A crescente pressão dos abolicionistas na Europa vinha criando restrições gradativas ao tráfico de escravos, que se tornavam mão-de-obra cada vez mais cara, já que a escravidão era o motor de toda a economia agrária pernambucana[1].
• Objetivos do movimento: independência do Brasil; proclamação da república;
O decorrer da revolução
A bandeira da Revolução Pernambucana de 1817, cujas estrelas representam Paraíba, Ceará e Pernambuco, inspirou a atual bandeira pernambucana.
O movimento iniciou com ocupação do Recife, em 6 de março de 1817. No regimento de artilharia, o capitão José de Barros Lima, conhecido como Leão Coroado, reagiu à voz de prisão e matou a golpes de espada o comandante Barbosa de Castro. Depois, na companhia de outros militares rebelados, tomou o quartel e ergueu trincheiras nas ruas vizinhas para impedir o avanço das tropas monarquistas. O governador Caetano Pinto de Miranda Montenegro refugiou-se no Forte do Brum, mas, cercado, acabou se rendendo[1].
O movimento foi liderado por Domingos José Martins, com o apoio de Antônio Carlos de Andrada e Silva e de Frei Caneca. Tendo conseguido dominar o Governo Provincial, se apossaram do tesouro da província, instalaram um governo provisório e proclamaram a República.
Em 29 de março foi convocada uma assembléia constituinte, com representantes eleitos em todas as comarcas, foi estabelecida a separação entre os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário; o catolicismo foi mantido como religião oficial, porém havia liberdade de culto ( o livre exercício de todas as religiões ); foi proclamada a liberdade de imprensa (uma grande novidade no Brasil); abolidos alguns impostos; a escravidão entretanto foi mantida.
À medida que o calor das discussões e da revolta contra a opressão portuguesa aumentava, crescia, também, o sentimento de patriotismo dos pernambucanos, ao ponto de passarem a usar nas missas a aguardente (em lugar do vinho) e a hóstia feita de mandioca (em lugar do trigo), como forma de marcar a sua identidade.
Expansão e queda
As tentativas de obter apoio das províncias vizinhas fracassaram. Na Bahia, o emissário da revolução, José Inácio Ribeiro de Abreu e Lima, o Padre Roma, foi preso ao desembarcar e imediatamente fuzilado por ordem do governador, o conde dos Arcos. No Rio Grande do Norte, o movimento conseguiu a adesão do proprietário de um grande engenho de açúcar, André de Albuquerque Maranhão, que depois de prender o governador, José Inácio Borges, ocupou Natal e formou uma junta governativa, porém não despertou o interesse da população e foi tirado do poder em poucos dias. O jornalista Hipólito José da Costa foi convidado para o cargo de ministro plenipotenciário da nova república em Londres, mas recusou.
Tropas enviadas da Bahia avançaram pelo sertão pernambucano, enquanto uma força naval, despachada do Rio de Janeiro, bloqueou o porto do Recife. Em poucos dias 8000 homens cercavam a província. No interior, a batalha decisiva foi travada na localidade de Ipojuca. Derrotados, os revolucionários tiveram de recuar em direção ao Recife. Em 19 de maio as tropas portuguesas entraram no Recife e encontraram a cidade abandonada e sem defesa. O governo provisório, isolado, se rendeu no dia seguinte.
Apesar de sentenças severas, um ano depois todos os revoltosos foram anistiados, e apenas quatro haviam sido executados.
Auxílio externo
Em maio de 1817, Antônio Gonçalves Cruz, o Cruz Cabugá, desembarcou na Filadélfia com 800 mil dólares (atualizado ao cambio 2007 aproximadamente 12 milhões de dólares )na bagagem com três missões[1]:
1. Comprar armas para combater as tropas de D. João VI
2. Convencer o governo americano a apoiar a criação de uma república independente no Nordeste brasileiro.
3. Recrutar alguns antigos revolucionários franceses exilados em território americano para, com a ajuda deles, libertar Napoleão Bonaparte, exilado na Ilha de Santa Helena, que seria transportado ao Recife, onde comandaria a revolução pernambucana. Depois retornando a Paris para reassumir o trono de imperador da França.
Porém na data de chegada do emissário aos Estados Unidos, os revolucionários pernambucanos já estavam sitiados pelas tropas monarquistas portuguesas e próximas da rendição. Quando chegaram ao Brasil os quatro veteranos de Napoleão recrutados (conde Pontelécoulant, coronel Latapie, ordenança Artong e soldado Roulet), muito depois de terminada a revolução, foram presos antes de desembarcar.
Em relação ao governo americano, Cruz Cabugá chegou a se encontrar com o secretário de Estado, Richard Rush, mas somente conseguiu o compromisso de que, enquanto durasse a rebelião, os Estados Unidos autorizariam a entrada de navios pernambucanos em águas americanas e que também aceitariam dar asilo ou abrigo a eventuais refugiados, em caso de fracasso do movimento[1].
Consequências
Debelada a revolução, foi desmembrada de Pernambuco a comarca de Rio Grande (atual Rio Grande do Norte), tornando-se província autônoma. Essa havia sido anexada ao território pernambucano ainda na segunda metade do século XVIII, juntamente a Ceará e Paraíba, que também se tornaram autônomas ainda no período colonial, em 1799.
Também a comarca de Alagoas, cujos proprietários rurais haviam se mantido fiéis à Coroa, como recompensa, puderam formar uma província independente[1].
Apesar dos revolucionários terem ficado no poder menos de três meses, conseguiram abalar a confiança na construção do império americano sonhado por D. João VI, a coroa nunca mais estaria segura de que seus súditos eram imunes à contaminação das idéias responsáveis pela subversão da antiga ordem na Europa[1].
Data Magna
Em 2007, o dia 6 de março foi declarado a Data Magna de Pernambuco, por conta da Revolução Pernambucana.
Em 2009, o Governo de Pernambuco aprovou nova lei, alterando a Data Magna do Estado para o primeiro domingo de março.
Revolução Pernambucana
A chamada Revolução Pernambucana, também conhecida como Revolução dos Padres, eclodiu em 6 de março de 1817 na então Província de Pernambuco, no Brasil.
Dentre as suas causas destacam-se a crise econômica regional, o absolutismo monárquico português e a influência das idéias Iluministas, propagadas pelas sociedades maçônicas.
Antecedentes
No começo do século XIX, Olinda e Recife, as duas maiores cidades pernambucanas, tinham juntas cerca de 40 000 habitantes (comparados com 60 000 habitantes do Rio de Janeiro, capital da colônia). O porto do Recife escoava a produção de açúcar, das centenas de engenhos da Zona da Mata, e de algodão. Além de sua importância econômica e política, os pernambucanos tinham participado de diversas lutas libertárias. A primeira e mais importante tinha sido a Insurreição Pernambucana, em 1645. Depois, na Guerra dos Mascates, foi aventada a possibilidade de proclamar a independência de Olinda[1].
As idéias liberais que entravam no Brasil junto com os viajantes estrangeiros e por meio de livros e de outras publicações, incentivavam o sentimento de revolta entre a elite pernambucana, que participava ativamente, desde o fim do século XVIII, de sociedades secretas, como as lojas maçônicas. Em Pernambuco as principais foram a Areópago de Itambé, a Patriotismo, a Restauração, a Pernambuco do Oriente e a Pernambuco do Ocidente, que serviam como locais de discussão e difusão das "infames idéias francesas". Nas sociedades secretas, reuniam-se intelectuais religiosos e militares, para elaborar planos para a revolução.
Causas imediatas
• Situação da região: presença maciça de portugueses na liderança do governo e na administração pública. Criação de novos impostos por Dom João provocando a insatisfação da população pernambucana.Para se ter uma idéia , segundo escritor inglês então residente no Recife, era grande a insatisfação local ante a obrigatoriedade de se pagar impostos para a manutenção da iluminação pública do Rio de Janeiro , enquanto no Recife era praticamente inexistente a dita iluminação .
• Nordeste: grande seca que havia atingido a região em 1816 acentuando a fome e a miséria; além disso, houve queda na produção do açúcar e do algodão, que sustentavam a economia pernambucana (esses produtos começaram a sofrer concorrência do algodão nos EUA e do açúcar na Jamaica).
• Influências externas: divulgação das ideias liberais e de independência (ideais iluministas), estimulando as camadas populares de Pernambuco na organização do movimento de 1817.
• A crescente pressão dos abolicionistas na Europa vinha criando restrições gradativas ao tráfico de escravos, que se tornavam mão-de-obra cada vez mais cara, já que a escravidão era o motor de toda a economia agrária pernambucana[1].
• Objetivos do movimento: independência do Brasil; proclamação da república;
O decorrer da revolução
A bandeira da Revolução Pernambucana de 1817, cujas estrelas representam Paraíba, Ceará e Pernambuco, inspirou a atual bandeira pernambucana.
O movimento iniciou com ocupação do Recife, em 6 de março de 1817. No regimento de artilharia, o capitão José de Barros Lima, conhecido como Leão Coroado, reagiu à voz de prisão e matou a golpes de espada o comandante Barbosa de Castro. Depois, na companhia de outros militares rebelados, tomou o quartel e ergueu trincheiras nas ruas vizinhas para impedir o avanço das tropas monarquistas. O governador Caetano Pinto de Miranda Montenegro refugiou-se no Forte do Brum, mas, cercado, acabou se rendendo[1].
O movimento foi liderado por Domingos José Martins, com o apoio de Antônio Carlos de Andrada e Silva e de Frei Caneca. Tendo conseguido dominar o Governo Provincial, se apossaram do tesouro da província, instalaram um governo provisório e proclamaram a República.
Em 29 de março foi convocada uma assembléia constituinte, com representantes eleitos em todas as comarcas, foi estabelecida a separação entre os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário; o catolicismo foi mantido como religião oficial, porém havia liberdade de culto ( o livre exercício de todas as religiões ); foi proclamada a liberdade de imprensa (uma grande novidade no Brasil); abolidos alguns impostos; a escravidão entretanto foi mantida.
À medida que o calor das discussões e da revolta contra a opressão portuguesa aumentava, crescia, também, o sentimento de patriotismo dos pernambucanos, ao ponto de passarem a usar nas missas a aguardente (em lugar do vinho) e a hóstia feita de mandioca (em lugar do trigo), como forma de marcar a sua identidade.
Expansão e queda
As tentativas de obter apoio das províncias vizinhas fracassaram. Na Bahia, o emissário da revolução, José Inácio Ribeiro de Abreu e Lima, o Padre Roma, foi preso ao desembarcar e imediatamente fuzilado por ordem do governador, o conde dos Arcos. No Rio Grande do Norte, o movimento conseguiu a adesão do proprietário de um grande engenho de açúcar, André de Albuquerque Maranhão, que depois de prender o governador, José Inácio Borges, ocupou Natal e formou uma junta governativa, porém não despertou o interesse da população e foi tirado do poder em poucos dias. O jornalista Hipólito José da Costa foi convidado para o cargo de ministro plenipotenciário da nova república em Londres, mas recusou.
Tropas enviadas da Bahia avançaram pelo sertão pernambucano, enquanto uma força naval, despachada do Rio de Janeiro, bloqueou o porto do Recife. Em poucos dias 8000 homens cercavam a província. No interior, a batalha decisiva foi travada na localidade de Ipojuca. Derrotados, os revolucionários tiveram de recuar em direção ao Recife. Em 19 de maio as tropas portuguesas entraram no Recife e encontraram a cidade abandonada e sem defesa. O governo provisório, isolado, se rendeu no dia seguinte.
Apesar de sentenças severas, um ano depois todos os revoltosos foram anistiados, e apenas quatro haviam sido executados.
Auxílio externo
Em maio de 1817, Antônio Gonçalves Cruz, o Cruz Cabugá, desembarcou na Filadélfia com 800 mil dólares (atualizado ao cambio 2007 aproximadamente 12 milhões de dólares )na bagagem com três missões[1]:
1. Comprar armas para combater as tropas de D. João VI
2. Convencer o governo americano a apoiar a criação de uma república independente no Nordeste brasileiro.
3. Recrutar alguns antigos revolucionários franceses exilados em território americano para, com a ajuda deles, libertar Napoleão Bonaparte, exilado na Ilha de Santa Helena, que seria transportado ao Recife, onde comandaria a revolução pernambucana. Depois retornando a Paris para reassumir o trono de imperador da França.
Porém na data de chegada do emissário aos Estados Unidos, os revolucionários pernambucanos já estavam sitiados pelas tropas monarquistas portuguesas e próximas da rendição. Quando chegaram ao Brasil os quatro veteranos de Napoleão recrutados (conde Pontelécoulant, coronel Latapie, ordenança Artong e soldado Roulet), muito depois de terminada a revolução, foram presos antes de desembarcar.
Em relação ao governo americano, Cruz Cabugá chegou a se encontrar com o secretário de Estado, Richard Rush, mas somente conseguiu o compromisso de que, enquanto durasse a rebelião, os Estados Unidos autorizariam a entrada de navios pernambucanos em águas americanas e que também aceitariam dar asilo ou abrigo a eventuais refugiados, em caso de fracasso do movimento[1].
Consequências
Debelada a revolução, foi desmembrada de Pernambuco a comarca de Rio Grande (atual Rio Grande do Norte), tornando-se província autônoma. Essa havia sido anexada ao território pernambucano ainda na segunda metade do século XVIII, juntamente a Ceará e Paraíba, que também se tornaram autônomas ainda no período colonial, em 1799.
Também a comarca de Alagoas, cujos proprietários rurais haviam se mantido fiéis à Coroa, como recompensa, puderam formar uma província independente[1].
Apesar dos revolucionários terem ficado no poder menos de três meses, conseguiram abalar a confiança na construção do império americano sonhado por D. João VI, a coroa nunca mais estaria segura de que seus súditos eram imunes à contaminação das idéias responsáveis pela subversão da antiga ordem na Europa[1].
Data Magna
Em 2007, o dia 6 de março foi declarado a Data Magna de Pernambuco, por conta da Revolução Pernambucana.
Em 2009, o Governo de Pernambuco aprovou nova lei, alterando a Data Magna do Estado para o primeiro domingo de março.
terça-feira, 5 de julho de 2011
POVOS, MOVIMENTOS, E TERRITÓRIOS NA AMÉRICA PORTUGUESA
Povos, movimentos e territórios na América portuguesa
Ao longo da história, a formação de colónias foi a forma como a espécie humana se espalhou pelo mundo.
Na pré-história, a colonização de territórios não era geralmente acompanhada pelo uso da força - a não ser para lutar contra eventuais animais que os ocupassem.
Em tempos mais recentes, no entanto, o crescimento populacional e económico em vários países da Europa e da Ásia (os Mongóis e os japoneses) levou a um novo tipo de colonização, que passou a ter o carácter de dominação (e, por vezes, extermínio) de povos que ocupavam territórios longínquos e dos seus recursos naturais, criando grandes impérios coloniais. Um dos aspectos mais importantes desta colonização foi a escravatura, com a "exportação" de uma grande parte da população africana para as Américas, com consequências nefastas, tanto para o Continente Negro, como para os descendentes dos escravos, que perduram até hoje.
No século XIII, os reis mongóis sucessores de Genghis Khan construíram o maior império colonial de sempre, abrangendo quase toda a Ásia e parte da Europa de leste. Nos finais do século XIX, os japoneses começaram a expandir-se e, na altura da Segunda Guerra Mundial, dominavam a Coreia, grande parte da China, a Indochina, as Filipinas e a então colónia das Índias Orientais Holandesas (atual Indonésia).
O colonialismo europeu foi o que abrangeu a maior parte do mundo, fora daquele continente, tendo sido ocupadas completamente as Américas e a Austrália até ao século XVII e a maior parte de África até ao início do século XIX. Em 1885, as diferentes regiões – actuais países - de África foi distribuída pelas potências coloniais europeias, na Conferência de Berlim.
Ecologia da colonização humana
Muitas espécies de plantas úteis são trazidas pelos colonizadores para serem cultivadas nas frentes de colonização. Quando os sítios são abandonados ou quando os colonizadores morrem, gerando as taperas, as plantas podem sobreviver por longo tempo, ocasionando frequentemente invasões vegetais nos ecossistemas no entorno. O estudo dessas plantas pelos ecólogos pode informar aos arqueólogos e historiadores as origens prováveis das infestações, possibilitando o encontro dos sítios arqueológicos. Dessa forma a Etnobotânica e a Ecologia são ferramentas auxiliares da Arqueologia e da História. Fonte: Santos, Ana Carla Fonseca, 2006. Taperas e suas plantas: etnobotânica dos antigos assentamentos humanos. Diálogos, Maringá, 10(3):33-55.
Ondas de colonização em frentes com alta densidade de colonizadores podem ter tido grande sucesso ao explorar, como nas América, ecossistemas muito favoráveis a eles, habitados por manadas de mamíferos de grande porte até então desconhecidos, possibilitando caça abundante e segurança alimentar. Fonte: Martin, P. S., 1973. The discovery of America. Science 179:969-974.
Colonização alemã
África
• Colonização alemã da África
A Alemanha só passou a administrar colónias em África (o Tanganyika e o Sudoeste Africano, actual Namíbia) a seguir à Conferência de Berlim e perdeu-as com a sua derrota na Primeira Guerra Mundial.
Colonização britânica
Os ingleses lançaram-se à conquista do mundo durante o reinado de Henrique VII (1485–1509), que promoveu a indústria naval, como forma de expandir o comércio para além das Ilhas Britânicas. Mas as primeiras colónias britânicas só foram fundadas durante o reinado de Isabel I, quando Sir Francis Drake circunavegou o globo nos anos 1577 a 1580 (Fernão de Magalhães já a tinha realizado em 1522). Em 1579, Drake chegou à Califórnia e proclamou aquela região "colónia da Coroa", chamando-lhe "Nova Albion" ("Nova Inglaterra"), mas não promoveu a sua ocupação. Humphrey Gilbert chegou à Terra Nova em 1583 e declarou-a colónia inglesa, enquanto Sir Walter Raleigh organizou a colónia da Virginia em 1587, mas ambas estas colónias tiveram pouco tempo de vida e tiveram de ser abandonadas, por falta de comida e encontros hostis com as tribos indígenas do continente Americano. Foi apenas no século seguinte, durante o reinado de Jaime I da Inglaterra, depois da derrota da Armada Invencível de Espanha, que foi assinado o Tratado de Londres, permitindo o estabelecimento da colónia da Virginia em 1607. Durante os três séculos seguintes, os ingleses expandiram o seu império a praticamente todo o mundo, incluindo grande parte de África, quase toda a América do Norte, a Índia e regiões vizinhas e várias ilhas ao redor do mundo.
Assim, em 1670 já existiam colónias inglesas estáveis na América do Norte (Nova Inglaterra, Virgínia, Carolina) e em Antígua, Barbados, Belize e Jamaica, bem como uma penetração comercial na Índia desde 1600, graças à Companhia das Índias Orientais.
A partir de 1660, organiza em África, entrepostos de captação de escravos para as plantações americanas, apossando-se, no século seguinte, em 1787, de inúmeros territórios entre o Rio Gâmbia (encravado no Senegal francês) e a Nigéria, abarcando a famosa Costa do Ouro, o actual Gana. O século XVIII é deste modo, o período de afirmação e maturação do projecto colonial britânico.
O seu único revés neste período foi a independência dos Estados Unidos da América, em 1776. Posteriormente houve o início da colonização da Austrália em 1783 e mais tarde da Nova Zelândia a partir de 1840.
A sua armada mantém-se superior às demais com a Batalha de Trafalgar em 1805, impondo uma vez mais uma pesada derrota a um adversário. O domínio de novas colónias é constante nesta altura - Malaca, desde 1795, Ceilão, Trindade e Tobago, em 1802, Malta, Santa Lúcia e Maurícia, em 1815, depois da derrota napoleónica e do seu bloqueio continental.
Singapura é fundada por Thomas Raffles em 1819. No Canadá regista-se o avanço para oeste, abrindo novas frentes de colonização, o mesmo sucedendo na Índia, com a exploração do interior do Decão e de Assam, Bengala e outras regiões.
O século XIX marca o auge do Império Colonial Britânico, cuja expansão económica e humana é favorecida pelo desenvolvimento do capitalismo financeiro e industrial, bem como pela pressão demográfica elevada.
Por outro lado, marca uma nova administração e gestão da realidade colonial. Exemplo disso é o governo directo da Coroa na Índia. Aí, porém, despoletará a primeira grande revolta contra o domínio colonial britânico: a Revolta dos Sipais, em 1858, que ditará o fim da Companhia das Índias Orientais.
Em 1877, a rainha Vitória - num gesto de coesão face às autonomias ou aspirações mais radicais - proclama-se imperatriz da Índia, que compreendia um extenso território entre a fronteira irano-paquistanesa e a Birmânia e entre o Oceano Índico e o Tibete. Na China, estabelece-se em Xangai. Na África, alimenta-se cada vez mais o sonho de construir um império inglês entre o Cairo, no Egipto, e a Cidade do Cabo, na África do Sul, o que é conseguido depois da Conferência de Berlim (1884-1885), que legitima a anexação de todos os territórios ao longo desse corredor africano (Egipto, Sudão, Quénia, Tanzania, Uganda, Rodésia, Transvaal e a Província do Cabo). Aqui, entre 1899 e 1902, se travará a primeira guerra do império, contra os bóers (descendentes de colonos holandeses estabelecidos desde o século XVII na África do Sul), que se tornarão autónomos em 1910 (União Sul-Africana).
Este conflito demonstra o desaparecimento gradual dos últimos obstáculos para a plena soberania das colónias desde o começo da segunda metade do século XIX. Nesse período, é dada autonomia às colónias de maioria de população europeia, como o Canadá, a Austrália, a Nova Zelândia e as regiões da África do Sul (Cabo, Orange, Natal e Transvaal), que ganham um estatuto de "domínios" (soberania quase total, mas leais à Coroa britânica), respectivamente, em 1867, 1901, 1907 e 1910. Aliás, já só dependiam da metrópole, até essa data, para assuntos externos e de defesa.
Estes domínios participarão ao lado da Inglaterra na Primeira Guerra Mundial, o que origina uma nova organização do império, cada vez mais diminuto devido à independência daqueles domínios de população maioritariamente europeia, embora associados à Inglaterra através da Commonwealth (Estatuto de Westminster, 1931). Irlanda, Canadá e África do Sul aceitam o Estatuto nessa data, fazendo-o mais tarde a Austrália, em 1942, e a Nova Zelândia, em 1947, perdendo assim o vínculo ao Reino Unido, apesar de reconhecerem a soberania simbólica da Coroa britânica.
No resto do império - que o Egipto é a primeira colónia não-branca a abandonar -, de população basicamente autóctone, novas fórmulas de associação política e económica são adoptadas: na Índia, por exemplo, tenta-se aproximar a população da administração, embora com custos elevados. De facto, após a Segunda Guerra Mundial e com o despertar dos nacionalismos, Índia e Paquistão tornam-se independentes e a Irlanda passa a república.
As décadas seguintes serão o cenário histórico da desagregação do império, nomeadamente em África. Actualmente, depois da devolução de Hong Kong, em 1997, à China, o Império Colonial Britânico resume-se a Gibraltar, à Ilha de Man e às ilhas do Canal da Mancha, na Europa, o Território Britânico do Oceano Índico, Pitcairn e dependências no Pacífico, Ilhas Malvinas, Anguilla, Bermudas, Geórgia do Sul, as Ilhas Caimão, Turks e Caicos, Montserrat, Ilhas Virgens Britânicas e Santa Helena e dependências (Tristão da Cunha e Ascensão) no Atlântico..
Colonização espanhola
Os espanhóis começaram as suas explorações pelo ocidente, com a descoberta das "Índias ocidentais" por Cristóvão Colombo, em 1492, iniciaram imediatamente a colonização forçada do continente americano. Em meados do século XVI,a dengue tomou conta do pais que foi obrigado a pedir ao Império Espanhol que controlava quase toda a zona costeira das Américas, desde o Alasca à Patagónia, no ocidente, e desde o atual estado norte-americano da Geórgia, toda a América Central e o Caribe até à Argentina – com excepção do Brasil, que Portugal tinha conseguido manter graças à mediação do Papa (ver Tratado de Tordesilhas). Na África, a Espanha ocupou as Ilhas Canárias (cedidas por Portugal, em 1479), o Saara Ocidental (e partes de Marrocos) e a actual Guiné Equatorial. Na Ásia, a Espanha dominou as Filipinas e, na Oceania, as Ilhas Marianas e Carolinas.
Colonização francesa
A França demorou a conquistar terras devido a problemas internos, referentes a centralização política. As primeiras tentativas dos franceses para estabelecerem colónias no Brasil, em 1555, e na Florida, em 1564 (em Fort Caroline, actualmente Jacksonville, na Flórida), realizada por huguenotes, não tiveram sucesso, devido à vigilância dos portugueses e espanhóis. A tentativa seguinte foi em 1598, em Sable Island, no sueste da actual província da Nova Escócia do Canadá; esta colónia não teve abastecimentos e os 12 sobreviventes tiveram de voltar a França. A história do império colonial francês começou em 27 de Julho de 1605 com a fundação em Port Royal, actualmente Annapolis (igualmente na Nova Escócia), da colónia da Acadie. Em 1608, Samuel de Champlain funda Quebec, que passa a ser a capital da enorme, mas pouco povoada, colónia de Nova França (também chamada "Canada"), que tinha como objectivo o comércio de peles.
À medida que os franceses expandiam o seu império na América do Norte, também começaram a construir outro, menor, mas mais lucrativo, nas "Índias Ocidentais" (as Caraíbas). A ocupação da costa sul-americana começou em 1624 onde é hoje a Guiana Francesa e fundou uma colónia em Saint Kitts em 1627 (a ilha teve que ser partilhada com os ingleses até ao Tratado de Utrecht em 1713, quando a França o perdeu). A "Compagnie des Îles de l'Amérique", formada em 1664, estabeleceu as colónias de Guadeloupe e Martinica em 1635 e em Santa Lúcia em 1650. As plantações destas colónias foram mantidas por escravos trazidos de África. A resistência dos povos indígenas locais resultou na Expulsão dos Caribes em 1660. A mais importante possessão colonial francesa nas Caraíbas só foi conseguida em 1664, com a fundação da colónia de "Saint-Domingue" (o actual Haiti) na metade ocidental da ilha Hispaniola (enquanto os espanhóis dominavam a parte oriental). No século XVIII, Saint-Domingue tornou-se a mais rica colónia de plantações de cana-de-açúcar das Caraíbas. A parte oriental da ilha Hispaniola foi oferecida à França pela Espanha, depois da perda de Saint-Domingue com a Revolução Haitiana.
Em 1699, as possessões francesas na América do Norte expandiram-se ainda mais com a fundação da Louisiana perto do delta do Rio Mississippi; embora a França tivesse declarado soberania de toda a bacia do Mississippi, só tinha controlo efectivo na região costeira, perto das cidades de Mobile (Alabama) e New Orleans (fundada em 1718). Mais tarde, os Estados Unidos da América compraram a colónia francesa.
Na África, foi no Senegal que os franceses primeiro estabeleceram entrepostos em 1624, tendo-se depois expandido para o interior e para sul, formando, em 1880, a colónia do Sudão francês (actual Mali) e, nos anos que se seguiram ocupando a grande parte do Norte de África e da África ocidental e central. A França formou ainda colónias na Índia (Chandernagore em Bengala e Pondicherry no sueste, em 1673-1674) e, mais tarde, Yanam (1723), Mahe (1725) e Karikal (1739). No Oceano Índico, a França implantou-se na "Île de Bourbon" (actual Reunião), em 1664, "Île Royale" (Maurícia, em 1718) e Seychelles (1756). Durante os primeiros anos do reinado de Napoleão, o Egipto esteve também sob domínio francês por um curto período, mas apenas à volta do rio Nilo.
Colonização holandesa
Finalmente, os neerlandeses formaram, em 1602 a Companhia Neerlandesa das Índias Orientais (com o nome formal de Companhia Unida das Índias Orientais, ou "Vereenigde Oost-Indische Compagnie", em neerlandês, com a sigla VOC) - dois anos depois da formação da Companhia Inglesa das Índias Orientais – com o objectivo de tentar excluir os competidores europeus daquela importante rota comercial. Em 1605 mercadores neerlandeses armados capturaram o forte português de Amboyna (ou Ambon), nas Ilhas Molucas, em 1619, invadiram Jayakarta, que renomearam Batavia (o nome latino dos Países Baixos) e transformaram em sua capital e, em 1682, tomaram Bantam, que era o último porto importante ainda em mãos dos nativos. A partir dessa altura, a colónia das "Índias Orientais Neerlandesas" (actual Indonésia) passou a ser administrada pela VOC, até à sua liquidação em 1799 – pois já se tinha tornado mais poderosa que o próprio reino. Concentrando o seu monopólio nas especiarias, os neerlandeses encorajaram a monocultura: Amboyna para o cravinho, Timor para o sândalo e as Bandas para a noz moscada.
Em 1609, o explorador inglês Henry Hudson, ao serviço da VOC, tentou uma passagem para as "Índias" pelo noroeste e acabou descobrindo regiões da América do Norte, dando o seu nome ao Rio Hudson e à Baía de Hudson e proclamando as terras circundantes propriedade da VOC. Depois de algumas expedições, a primeira colónia foi fundada em 1615: Fort Nassau, em Castle Island, perto da actual cidade de Albany, capital do estado de Nova Iorque.
Em 1621, foi formada uma nova companhia para estabelecer um monopólio comercial neerlandês nas Américas e África ocidental, a Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais (Westindische Compagnie or WIC), que pediu o reconhecimento da sua colónia de Novos Países Baixos como uma nova província, o que foi concedido em 1623 (nessa época, os Países Baixos tinham a designação de "República das Sete Províncias Unidas"). Em 1626, a WIC "comprou" a ilha de Manhattan aos índios e começou a construção do forte de Nova Amsterdão. No mesmo ano foi construído o Forte Nassau onde é hoje Gloucester, no estado de Nova Jersey e, mais tarde, outros entrepostos em Delaware e Filadélfia. Em 1655, os neerlandeses capturaram as colónias suecas de Nova Suécia e Forte Cristina. Entretanto, em África, os neerlandeses construiram outro Forte Nassau no actual Gana (nessa época, o país era governado pela Casa de Orange-Nassau).
Em 1664, tropas inglesas sob comando do Duque de York (que se tornou Jaime II de Inglaterra) atacaram os Novos Países Baixos e mudaram o nome de Nova Amsterdão para Nova Iorque. Este incidente levou à Segunda Guerra Anglo-Neerlandesa (1665-1667), que terminou com o Tratado de Breda, no qual os neerlandeses desistiam de Nova Amsterdão, em troca do Suriname. Entre 1673 e 1674, estes territórios foram novamente capturados pelos neerlandeses durante a Terceira Guerra Anglo-Neerlandesa e foram devolvidos à Inglaterra através do Tratado de Westminster.
Mais a sul, em plena rota das "Índias", Jan van Riebeeck, da Companhia Neerlandesa das Indias Orientais, fundou a Cidade do Cabo em 6 de Abril de 1652, no extremo sul da África. Durante os séculos XVII e XVIII, a Colónia Neerlandesa do Cabo viu chegar e instalarem-se calvinistas, principalmente dos Países Baixos, mas também da Alemanha, França, Escócia e doutros lugares da Europa. Estes calvinistas não conseguiram "disciplinar" os khoisan para as suas actividades agrícolas e quase os exterminaram nas guerras conhecidas como "Guerras do Desconhecido" ("Cape Frontier Wars"). Então, começaram a importar escravos da Indonésia, de Madagáscar e da Índia. Os descendentes destes escravos e dos colonos, passaram a ser mais tarde conhecidos como "Mulatos do Cabo" ("Cape Coloureds" ou "Cape Malays"), chegando a constituir cerca de 50 % da população da Província do Cabo Ocidental.
Nas Antilhas, a colonização neerlandesa começou em Sint Maarten, em 1620 (embora esta ilha tenha mudado de mãos pelo menos 16 vezes até 1816, quando foi permanentemente dividida entre a França e os Países Baixos). Seguiram-se Bonaire, em 1633, Curaçao, em 1634, Sint Eustatius, em 1635, Aruba, em 1636 e Saba, em 1640. Actualmente, estas ilhas formam as Antilhas Neerlandesas, que são ainda parte do Reino dos Países Baixos, embora autónomas.
Colonização portuguesa
império português
Pode dizer-se que a colonização recente do mundo iniciou-se com os descobrimentos e com a exploração das Ilhas Canárias pelos portugueses, no princípio do século XIV; a primeira ocupação violenta foi a conquista de Ceuta, também pelos portugueses, em 1415. Os navegadores continuaram a explorar a costa de África para sul e depois ao longo do Oceano Índico, chegando finalmente ao seu "destino", a Índia, onde ocuparam Goa, em 1510. Em 1511, Afonso de Albuquerque invadiu Malaca (sultanato na Malásia), estabelecendo aí o domínio português. Finalmente, chegaram à China, onde fundam a colónia de Macau, em 1557.
Entretanto, Pedro Álvares Cabral, ainda com a intenção de chegar à Índia, "descobre" o Brasil, em 1500; a partir de 1534 inicia-se a colonização do Brasil com a criação das primeiras capitanias. Ao longo destes cerca de dois séculos e meio, Portugal não estabeleceu verdadeiras colónias, limitando-se a construir entrepostos (que por vezes eram fortificados) para servirem de abastecimento aos navegadores que, nessa altura eram mais comerciantes que verdadeiros colonizadores. No entanto, quando encontravam resistência dos habitantes locais, atacavam e, por exemplo, em 1505 destruíram Kilwa Kisiwani (na actual Tanzânia).
Colonização russa
Os russos foram os últimos europeus a colonizarem as Américas. Na busca de expandir seu grandioso império, muitas expedições foram feitas na segunda metade do século XVIII na busca de uma passagem entre o Oceano Atlântico e o Oceano Pacífico. Descobriram o Alasca e as Ilhas Aleutas que rapidamente foram colonizadas. O Alasca era rico em madeira e peles de animais selvagens, tornando o Império Russo líder nestes mercados.
Por causa do intenso frio e da escassez de comida da região, colonos russos imigraram para o sul instalando-se na colônia de Fort Ross, no Noroeste dos EUA. A região era mais fresca além de ter um solo fértil e clima mediterrânico.
A colônia extinguiu-se em 1840. O povoamento do Alasca era cara demais para ser mantida pelo Império Russo. Por esse motivo, a Rússia vendeu a região aos Estados Unidos por 7,2 milhões de dólares.
Ao longo da história, a formação de colónias foi a forma como a espécie humana se espalhou pelo mundo.
Na pré-história, a colonização de territórios não era geralmente acompanhada pelo uso da força - a não ser para lutar contra eventuais animais que os ocupassem.
Em tempos mais recentes, no entanto, o crescimento populacional e económico em vários países da Europa e da Ásia (os Mongóis e os japoneses) levou a um novo tipo de colonização, que passou a ter o carácter de dominação (e, por vezes, extermínio) de povos que ocupavam territórios longínquos e dos seus recursos naturais, criando grandes impérios coloniais. Um dos aspectos mais importantes desta colonização foi a escravatura, com a "exportação" de uma grande parte da população africana para as Américas, com consequências nefastas, tanto para o Continente Negro, como para os descendentes dos escravos, que perduram até hoje.
No século XIII, os reis mongóis sucessores de Genghis Khan construíram o maior império colonial de sempre, abrangendo quase toda a Ásia e parte da Europa de leste. Nos finais do século XIX, os japoneses começaram a expandir-se e, na altura da Segunda Guerra Mundial, dominavam a Coreia, grande parte da China, a Indochina, as Filipinas e a então colónia das Índias Orientais Holandesas (atual Indonésia).
O colonialismo europeu foi o que abrangeu a maior parte do mundo, fora daquele continente, tendo sido ocupadas completamente as Américas e a Austrália até ao século XVII e a maior parte de África até ao início do século XIX. Em 1885, as diferentes regiões – actuais países - de África foi distribuída pelas potências coloniais europeias, na Conferência de Berlim.
Ecologia da colonização humana
Muitas espécies de plantas úteis são trazidas pelos colonizadores para serem cultivadas nas frentes de colonização. Quando os sítios são abandonados ou quando os colonizadores morrem, gerando as taperas, as plantas podem sobreviver por longo tempo, ocasionando frequentemente invasões vegetais nos ecossistemas no entorno. O estudo dessas plantas pelos ecólogos pode informar aos arqueólogos e historiadores as origens prováveis das infestações, possibilitando o encontro dos sítios arqueológicos. Dessa forma a Etnobotânica e a Ecologia são ferramentas auxiliares da Arqueologia e da História. Fonte: Santos, Ana Carla Fonseca, 2006. Taperas e suas plantas: etnobotânica dos antigos assentamentos humanos. Diálogos, Maringá, 10(3):33-55.
Ondas de colonização em frentes com alta densidade de colonizadores podem ter tido grande sucesso ao explorar, como nas América, ecossistemas muito favoráveis a eles, habitados por manadas de mamíferos de grande porte até então desconhecidos, possibilitando caça abundante e segurança alimentar. Fonte: Martin, P. S., 1973. The discovery of America. Science 179:969-974.
Colonização alemã
África
• Colonização alemã da África
A Alemanha só passou a administrar colónias em África (o Tanganyika e o Sudoeste Africano, actual Namíbia) a seguir à Conferência de Berlim e perdeu-as com a sua derrota na Primeira Guerra Mundial.
Colonização britânica
Os ingleses lançaram-se à conquista do mundo durante o reinado de Henrique VII (1485–1509), que promoveu a indústria naval, como forma de expandir o comércio para além das Ilhas Britânicas. Mas as primeiras colónias britânicas só foram fundadas durante o reinado de Isabel I, quando Sir Francis Drake circunavegou o globo nos anos 1577 a 1580 (Fernão de Magalhães já a tinha realizado em 1522). Em 1579, Drake chegou à Califórnia e proclamou aquela região "colónia da Coroa", chamando-lhe "Nova Albion" ("Nova Inglaterra"), mas não promoveu a sua ocupação. Humphrey Gilbert chegou à Terra Nova em 1583 e declarou-a colónia inglesa, enquanto Sir Walter Raleigh organizou a colónia da Virginia em 1587, mas ambas estas colónias tiveram pouco tempo de vida e tiveram de ser abandonadas, por falta de comida e encontros hostis com as tribos indígenas do continente Americano. Foi apenas no século seguinte, durante o reinado de Jaime I da Inglaterra, depois da derrota da Armada Invencível de Espanha, que foi assinado o Tratado de Londres, permitindo o estabelecimento da colónia da Virginia em 1607. Durante os três séculos seguintes, os ingleses expandiram o seu império a praticamente todo o mundo, incluindo grande parte de África, quase toda a América do Norte, a Índia e regiões vizinhas e várias ilhas ao redor do mundo.
Assim, em 1670 já existiam colónias inglesas estáveis na América do Norte (Nova Inglaterra, Virgínia, Carolina) e em Antígua, Barbados, Belize e Jamaica, bem como uma penetração comercial na Índia desde 1600, graças à Companhia das Índias Orientais.
A partir de 1660, organiza em África, entrepostos de captação de escravos para as plantações americanas, apossando-se, no século seguinte, em 1787, de inúmeros territórios entre o Rio Gâmbia (encravado no Senegal francês) e a Nigéria, abarcando a famosa Costa do Ouro, o actual Gana. O século XVIII é deste modo, o período de afirmação e maturação do projecto colonial britânico.
O seu único revés neste período foi a independência dos Estados Unidos da América, em 1776. Posteriormente houve o início da colonização da Austrália em 1783 e mais tarde da Nova Zelândia a partir de 1840.
A sua armada mantém-se superior às demais com a Batalha de Trafalgar em 1805, impondo uma vez mais uma pesada derrota a um adversário. O domínio de novas colónias é constante nesta altura - Malaca, desde 1795, Ceilão, Trindade e Tobago, em 1802, Malta, Santa Lúcia e Maurícia, em 1815, depois da derrota napoleónica e do seu bloqueio continental.
Singapura é fundada por Thomas Raffles em 1819. No Canadá regista-se o avanço para oeste, abrindo novas frentes de colonização, o mesmo sucedendo na Índia, com a exploração do interior do Decão e de Assam, Bengala e outras regiões.
O século XIX marca o auge do Império Colonial Britânico, cuja expansão económica e humana é favorecida pelo desenvolvimento do capitalismo financeiro e industrial, bem como pela pressão demográfica elevada.
Por outro lado, marca uma nova administração e gestão da realidade colonial. Exemplo disso é o governo directo da Coroa na Índia. Aí, porém, despoletará a primeira grande revolta contra o domínio colonial britânico: a Revolta dos Sipais, em 1858, que ditará o fim da Companhia das Índias Orientais.
Em 1877, a rainha Vitória - num gesto de coesão face às autonomias ou aspirações mais radicais - proclama-se imperatriz da Índia, que compreendia um extenso território entre a fronteira irano-paquistanesa e a Birmânia e entre o Oceano Índico e o Tibete. Na China, estabelece-se em Xangai. Na África, alimenta-se cada vez mais o sonho de construir um império inglês entre o Cairo, no Egipto, e a Cidade do Cabo, na África do Sul, o que é conseguido depois da Conferência de Berlim (1884-1885), que legitima a anexação de todos os territórios ao longo desse corredor africano (Egipto, Sudão, Quénia, Tanzania, Uganda, Rodésia, Transvaal e a Província do Cabo). Aqui, entre 1899 e 1902, se travará a primeira guerra do império, contra os bóers (descendentes de colonos holandeses estabelecidos desde o século XVII na África do Sul), que se tornarão autónomos em 1910 (União Sul-Africana).
Este conflito demonstra o desaparecimento gradual dos últimos obstáculos para a plena soberania das colónias desde o começo da segunda metade do século XIX. Nesse período, é dada autonomia às colónias de maioria de população europeia, como o Canadá, a Austrália, a Nova Zelândia e as regiões da África do Sul (Cabo, Orange, Natal e Transvaal), que ganham um estatuto de "domínios" (soberania quase total, mas leais à Coroa britânica), respectivamente, em 1867, 1901, 1907 e 1910. Aliás, já só dependiam da metrópole, até essa data, para assuntos externos e de defesa.
Estes domínios participarão ao lado da Inglaterra na Primeira Guerra Mundial, o que origina uma nova organização do império, cada vez mais diminuto devido à independência daqueles domínios de população maioritariamente europeia, embora associados à Inglaterra através da Commonwealth (Estatuto de Westminster, 1931). Irlanda, Canadá e África do Sul aceitam o Estatuto nessa data, fazendo-o mais tarde a Austrália, em 1942, e a Nova Zelândia, em 1947, perdendo assim o vínculo ao Reino Unido, apesar de reconhecerem a soberania simbólica da Coroa britânica.
No resto do império - que o Egipto é a primeira colónia não-branca a abandonar -, de população basicamente autóctone, novas fórmulas de associação política e económica são adoptadas: na Índia, por exemplo, tenta-se aproximar a população da administração, embora com custos elevados. De facto, após a Segunda Guerra Mundial e com o despertar dos nacionalismos, Índia e Paquistão tornam-se independentes e a Irlanda passa a república.
As décadas seguintes serão o cenário histórico da desagregação do império, nomeadamente em África. Actualmente, depois da devolução de Hong Kong, em 1997, à China, o Império Colonial Britânico resume-se a Gibraltar, à Ilha de Man e às ilhas do Canal da Mancha, na Europa, o Território Britânico do Oceano Índico, Pitcairn e dependências no Pacífico, Ilhas Malvinas, Anguilla, Bermudas, Geórgia do Sul, as Ilhas Caimão, Turks e Caicos, Montserrat, Ilhas Virgens Britânicas e Santa Helena e dependências (Tristão da Cunha e Ascensão) no Atlântico..
Colonização espanhola
Os espanhóis começaram as suas explorações pelo ocidente, com a descoberta das "Índias ocidentais" por Cristóvão Colombo, em 1492, iniciaram imediatamente a colonização forçada do continente americano. Em meados do século XVI,a dengue tomou conta do pais que foi obrigado a pedir ao Império Espanhol que controlava quase toda a zona costeira das Américas, desde o Alasca à Patagónia, no ocidente, e desde o atual estado norte-americano da Geórgia, toda a América Central e o Caribe até à Argentina – com excepção do Brasil, que Portugal tinha conseguido manter graças à mediação do Papa (ver Tratado de Tordesilhas). Na África, a Espanha ocupou as Ilhas Canárias (cedidas por Portugal, em 1479), o Saara Ocidental (e partes de Marrocos) e a actual Guiné Equatorial. Na Ásia, a Espanha dominou as Filipinas e, na Oceania, as Ilhas Marianas e Carolinas.
Colonização francesa
A França demorou a conquistar terras devido a problemas internos, referentes a centralização política. As primeiras tentativas dos franceses para estabelecerem colónias no Brasil, em 1555, e na Florida, em 1564 (em Fort Caroline, actualmente Jacksonville, na Flórida), realizada por huguenotes, não tiveram sucesso, devido à vigilância dos portugueses e espanhóis. A tentativa seguinte foi em 1598, em Sable Island, no sueste da actual província da Nova Escócia do Canadá; esta colónia não teve abastecimentos e os 12 sobreviventes tiveram de voltar a França. A história do império colonial francês começou em 27 de Julho de 1605 com a fundação em Port Royal, actualmente Annapolis (igualmente na Nova Escócia), da colónia da Acadie. Em 1608, Samuel de Champlain funda Quebec, que passa a ser a capital da enorme, mas pouco povoada, colónia de Nova França (também chamada "Canada"), que tinha como objectivo o comércio de peles.
À medida que os franceses expandiam o seu império na América do Norte, também começaram a construir outro, menor, mas mais lucrativo, nas "Índias Ocidentais" (as Caraíbas). A ocupação da costa sul-americana começou em 1624 onde é hoje a Guiana Francesa e fundou uma colónia em Saint Kitts em 1627 (a ilha teve que ser partilhada com os ingleses até ao Tratado de Utrecht em 1713, quando a França o perdeu). A "Compagnie des Îles de l'Amérique", formada em 1664, estabeleceu as colónias de Guadeloupe e Martinica em 1635 e em Santa Lúcia em 1650. As plantações destas colónias foram mantidas por escravos trazidos de África. A resistência dos povos indígenas locais resultou na Expulsão dos Caribes em 1660. A mais importante possessão colonial francesa nas Caraíbas só foi conseguida em 1664, com a fundação da colónia de "Saint-Domingue" (o actual Haiti) na metade ocidental da ilha Hispaniola (enquanto os espanhóis dominavam a parte oriental). No século XVIII, Saint-Domingue tornou-se a mais rica colónia de plantações de cana-de-açúcar das Caraíbas. A parte oriental da ilha Hispaniola foi oferecida à França pela Espanha, depois da perda de Saint-Domingue com a Revolução Haitiana.
Em 1699, as possessões francesas na América do Norte expandiram-se ainda mais com a fundação da Louisiana perto do delta do Rio Mississippi; embora a França tivesse declarado soberania de toda a bacia do Mississippi, só tinha controlo efectivo na região costeira, perto das cidades de Mobile (Alabama) e New Orleans (fundada em 1718). Mais tarde, os Estados Unidos da América compraram a colónia francesa.
Na África, foi no Senegal que os franceses primeiro estabeleceram entrepostos em 1624, tendo-se depois expandido para o interior e para sul, formando, em 1880, a colónia do Sudão francês (actual Mali) e, nos anos que se seguiram ocupando a grande parte do Norte de África e da África ocidental e central. A França formou ainda colónias na Índia (Chandernagore em Bengala e Pondicherry no sueste, em 1673-1674) e, mais tarde, Yanam (1723), Mahe (1725) e Karikal (1739). No Oceano Índico, a França implantou-se na "Île de Bourbon" (actual Reunião), em 1664, "Île Royale" (Maurícia, em 1718) e Seychelles (1756). Durante os primeiros anos do reinado de Napoleão, o Egipto esteve também sob domínio francês por um curto período, mas apenas à volta do rio Nilo.
Colonização holandesa
Finalmente, os neerlandeses formaram, em 1602 a Companhia Neerlandesa das Índias Orientais (com o nome formal de Companhia Unida das Índias Orientais, ou "Vereenigde Oost-Indische Compagnie", em neerlandês, com a sigla VOC) - dois anos depois da formação da Companhia Inglesa das Índias Orientais – com o objectivo de tentar excluir os competidores europeus daquela importante rota comercial. Em 1605 mercadores neerlandeses armados capturaram o forte português de Amboyna (ou Ambon), nas Ilhas Molucas, em 1619, invadiram Jayakarta, que renomearam Batavia (o nome latino dos Países Baixos) e transformaram em sua capital e, em 1682, tomaram Bantam, que era o último porto importante ainda em mãos dos nativos. A partir dessa altura, a colónia das "Índias Orientais Neerlandesas" (actual Indonésia) passou a ser administrada pela VOC, até à sua liquidação em 1799 – pois já se tinha tornado mais poderosa que o próprio reino. Concentrando o seu monopólio nas especiarias, os neerlandeses encorajaram a monocultura: Amboyna para o cravinho, Timor para o sândalo e as Bandas para a noz moscada.
Em 1609, o explorador inglês Henry Hudson, ao serviço da VOC, tentou uma passagem para as "Índias" pelo noroeste e acabou descobrindo regiões da América do Norte, dando o seu nome ao Rio Hudson e à Baía de Hudson e proclamando as terras circundantes propriedade da VOC. Depois de algumas expedições, a primeira colónia foi fundada em 1615: Fort Nassau, em Castle Island, perto da actual cidade de Albany, capital do estado de Nova Iorque.
Em 1621, foi formada uma nova companhia para estabelecer um monopólio comercial neerlandês nas Américas e África ocidental, a Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais (Westindische Compagnie or WIC), que pediu o reconhecimento da sua colónia de Novos Países Baixos como uma nova província, o que foi concedido em 1623 (nessa época, os Países Baixos tinham a designação de "República das Sete Províncias Unidas"). Em 1626, a WIC "comprou" a ilha de Manhattan aos índios e começou a construção do forte de Nova Amsterdão. No mesmo ano foi construído o Forte Nassau onde é hoje Gloucester, no estado de Nova Jersey e, mais tarde, outros entrepostos em Delaware e Filadélfia. Em 1655, os neerlandeses capturaram as colónias suecas de Nova Suécia e Forte Cristina. Entretanto, em África, os neerlandeses construiram outro Forte Nassau no actual Gana (nessa época, o país era governado pela Casa de Orange-Nassau).
Em 1664, tropas inglesas sob comando do Duque de York (que se tornou Jaime II de Inglaterra) atacaram os Novos Países Baixos e mudaram o nome de Nova Amsterdão para Nova Iorque. Este incidente levou à Segunda Guerra Anglo-Neerlandesa (1665-1667), que terminou com o Tratado de Breda, no qual os neerlandeses desistiam de Nova Amsterdão, em troca do Suriname. Entre 1673 e 1674, estes territórios foram novamente capturados pelos neerlandeses durante a Terceira Guerra Anglo-Neerlandesa e foram devolvidos à Inglaterra através do Tratado de Westminster.
Mais a sul, em plena rota das "Índias", Jan van Riebeeck, da Companhia Neerlandesa das Indias Orientais, fundou a Cidade do Cabo em 6 de Abril de 1652, no extremo sul da África. Durante os séculos XVII e XVIII, a Colónia Neerlandesa do Cabo viu chegar e instalarem-se calvinistas, principalmente dos Países Baixos, mas também da Alemanha, França, Escócia e doutros lugares da Europa. Estes calvinistas não conseguiram "disciplinar" os khoisan para as suas actividades agrícolas e quase os exterminaram nas guerras conhecidas como "Guerras do Desconhecido" ("Cape Frontier Wars"). Então, começaram a importar escravos da Indonésia, de Madagáscar e da Índia. Os descendentes destes escravos e dos colonos, passaram a ser mais tarde conhecidos como "Mulatos do Cabo" ("Cape Coloureds" ou "Cape Malays"), chegando a constituir cerca de 50 % da população da Província do Cabo Ocidental.
Nas Antilhas, a colonização neerlandesa começou em Sint Maarten, em 1620 (embora esta ilha tenha mudado de mãos pelo menos 16 vezes até 1816, quando foi permanentemente dividida entre a França e os Países Baixos). Seguiram-se Bonaire, em 1633, Curaçao, em 1634, Sint Eustatius, em 1635, Aruba, em 1636 e Saba, em 1640. Actualmente, estas ilhas formam as Antilhas Neerlandesas, que são ainda parte do Reino dos Países Baixos, embora autónomas.
Colonização portuguesa
império português
Pode dizer-se que a colonização recente do mundo iniciou-se com os descobrimentos e com a exploração das Ilhas Canárias pelos portugueses, no princípio do século XIV; a primeira ocupação violenta foi a conquista de Ceuta, também pelos portugueses, em 1415. Os navegadores continuaram a explorar a costa de África para sul e depois ao longo do Oceano Índico, chegando finalmente ao seu "destino", a Índia, onde ocuparam Goa, em 1510. Em 1511, Afonso de Albuquerque invadiu Malaca (sultanato na Malásia), estabelecendo aí o domínio português. Finalmente, chegaram à China, onde fundam a colónia de Macau, em 1557.
Entretanto, Pedro Álvares Cabral, ainda com a intenção de chegar à Índia, "descobre" o Brasil, em 1500; a partir de 1534 inicia-se a colonização do Brasil com a criação das primeiras capitanias. Ao longo destes cerca de dois séculos e meio, Portugal não estabeleceu verdadeiras colónias, limitando-se a construir entrepostos (que por vezes eram fortificados) para servirem de abastecimento aos navegadores que, nessa altura eram mais comerciantes que verdadeiros colonizadores. No entanto, quando encontravam resistência dos habitantes locais, atacavam e, por exemplo, em 1505 destruíram Kilwa Kisiwani (na actual Tanzânia).
Colonização russa
Os russos foram os últimos europeus a colonizarem as Américas. Na busca de expandir seu grandioso império, muitas expedições foram feitas na segunda metade do século XVIII na busca de uma passagem entre o Oceano Atlântico e o Oceano Pacífico. Descobriram o Alasca e as Ilhas Aleutas que rapidamente foram colonizadas. O Alasca era rico em madeira e peles de animais selvagens, tornando o Império Russo líder nestes mercados.
Por causa do intenso frio e da escassez de comida da região, colonos russos imigraram para o sul instalando-se na colônia de Fort Ross, no Noroeste dos EUA. A região era mais fresca além de ter um solo fértil e clima mediterrânico.
A colônia extinguiu-se em 1840. O povoamento do Alasca era cara demais para ser mantida pelo Império Russo. Por esse motivo, a Rússia vendeu a região aos Estados Unidos por 7,2 milhões de dólares.
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